14 de abr de 2008

The Dreamer

Tillian
Have you ever had a dream, Neo, that you were so sure was real? What if you were unable to wake from that dream? How would you know the difference between the dream world and the real world?

- Morpheus, The Matrix



Segue então o textinho. ^^
Quem já leu essa parte, disse que "quebrou o fluxo da história", mas creio que minha idéia era justamente essa: quebrar um pouco a "tensão" do "sonho" com a monotonia do "sonhador". Talvez esse "sonho" seja a maior emoção que ele já tenha tido na vida... e olha que só está començando.... >=D
Espero que apreciem.

See ya

Alone In The Night by ~Liviu-Terinte
Créditos da imagem: DeviantArt - Liviu-Terinte

The Dreamer – parte 3

Lucius não é o tipo de pessoa que se destaca, mas também não é um zero a esquerda. De constituição física mediana, não malha nem pratica esportes. Antigamente, quando no colégio, ia de bicicleta para as aulas, mas hoje, com seus 18 anos, vai de ônibus pro trabalho. Não tem carro por não ter condições financeiras nem de adquirir, nem de manter um e como o trabalho paga passe de ônibus, é uma economia a mais (apesar do inconveniente). No colégio, também não era o cara popular. Não é muito bonito, nem tem grandes atrativos físicos e muito menos faz parte de uma família rica. Aliás, nem de uma família ele se considera. Sua mãe morreu quando tinha 12 anos e ele viveu com o pai desde então, mas este nunca parou muito em casa por causa do trabalho e Lucius acabou por se criar, cuidando da casa e estudando. Os estudos eram um dos poucos assuntos em que ele ia bem, sempre tirava notas boas e agradava os professores. Não que ele fosse particularmente ruim em esportes... apenas não se interessava por eles.
E em matérias de garotas então? Podia contar nos dedos as namoradas que teve. Também não era muito de “ficar” nem de beijar por beijar. Quando algum amigo o convidava para alguma festa – e isso não acontecia com muita freqüência – ele geralmente dizia que “não tinha tempo para festas”. Na verdade ele não precisava estudar, afinal, conseguiria as notas para passar apenas com as aulas em classe, mas ele preferia ler um bom livro à ir pra uma festa olhar garotas se esfregarem nos boyzinhos da escola. E isso, a baixa freqüência em festas e eventos, acabava por reduzir ainda mais a popularidade de Lucius.
Agora, com 18, passou a morar sozinho num cubículo que ele chama de “meu apartamento”. Na verdade é alugado e é horrível, mas é o que ele pode pagar com o salário que ganha. Odeia seu emprego e seu chefe, pretende mudar para um emprego que pague o suficiente para pagar o aluguel, as contas e a faculdade, mas até lá, ficará sem estudar. Isso claro, se não passar numa faculdade pública, o que seu pai acha impossível, mas ele também não tem tanto interesse em entrar numa faculdade. Acha que os professores não acrescentaram nada de útil para vida dele além do que ele pode encontrar na internet.
E agora Lucius também começara a ficar louco... Pelo menos era isso que ele pensava... Ter tido muitas responsabilidades desde cedo, a falta da presença materna... Falta de garotas... Talvez tudo isso estivesse provocando estes sonhos estranhos. Talvez fosse o seu subconsciente tentando dizer-lhe que se matar era a melhor solução (e seu subconsciente poderia usar terno preto). Mas ele não faria isso. Por que se matar? Quer dizer, a vida andava meio que uma bosta, mas não era motivo para isso. Ele podia lutar e vencer um dia... Procurar um psicólogo parecia ser uma boa idéia...
Comentários
2 Comentários

2 Comentários:

  1. Gostei da descrição do personagem. Adoro minúncias! Gosto desses pequenos detalhes que passam desapercebidos em muitos textos! E achei interessante a idéia de evolução que ele tem. Não é apegado ao sistema, não precisa se auto-afirmar como homem de sucesso através do estudo oficial - ou seja, através da faculdade. Nesse ponto me identifico muito com ele. Já tive grande preocupação com o assunto, mas depois de perceber que posso evoluir intelectualmente sozinha, não vi mais motivos para implorar um pouco de atenção e aprendizado por parte de professores cansados, mal-pagos e desesperançosos de mudar algo. É triste e não é uma regra, mas ocorre muito mais do que imaginamos!

    Continue, mon sieur, estou gostando! Mas não acho que no caso dele, um cara com discernimento para fazer uma satisfatória avaliação pessoal, o psicólogo seja muito útil.

    Beijos babados!

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  2. Teya

    WOW! That one crazy is FoXi (Liviu Terinte) over there in the picture and is also a photographer...

    http://foxden24.hi5.com - his personal web page or something !

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